Mil contos e 1500 caracteres.
O branco e a negra.
Um conto de réis era muito dinheiro. Com mil contos de réis meu bisavô comprou uma fazenda com uma porção de alqueires e não sei quantas cabeças de gado. Lembro-me, quando criança, eu visitava aquela antiga casa de fazenda construída por portugueses vindos da Terrinha por volta de 1850.
A sede da fazenda era construída sobre alicerces de pedra a uma altura de dois metros. A construção destacava-se, imponente, com os seus vinte quartos, três salas de banho, três salas sociais - uma de refeição, outra para recepções e uma terceira para reuniões menores com um belo altar em madeira de lei, além de duas cozinhas. Toda a construção era em forma retangular com um centro em vão livre e ocupado, no solo, por animais, empregados e agregados em afazeres diários.
Meu bisavô tinha quatro filhos e três filhas do seu primeiro casamento, do qual eu sou descendente. E mais duas filhas e um filho do seu segundo casamento, além de um filho que ele teve com uma empregada da fazenda, de cor negra, durante o seu segundo enlace oficial.
- Meus filhos terão minha herança, resultado de meu suor. Mas, precisam trabalhar a terra para saber o valor dos seus bens - dizia aquele homem rude, mas sábio em seus atos e palavras.
Atualmente, quando passo pela região da fazenda do meu bisavô, eu não vejo mais sinais da imponência da sede de fazenda e tampouco aquela enorme propriedade rural. Tudo foi vendido e transformado em uma próspera cidade do interior do estado do Rio de Janeiro.
Luiz Ramos©
PS. – O meu desafio foi escrever um conto em 1500 caracteres. Posteriormente este texto foi publicado como miniconto com cerca de trezentos caracteres.
Foto: ramosforest©