Páginas

sábado, 10 de outubro de 2009

Primavera em cerimonial procissão


Com as chuvas dos últimos dias, com os ares de tardio inverno, com os céus repletos de nuvens escuras e ventos frios, setembro faz-me lembrar do meu poema abaixo:

Estações em cerimonial procissão


Ventos gélidos sopram do Sul Antártico.

Como gaivota em vôo fantástico,

Em rasantes, nuvens baixas ameaçam,

E, levadas pelos ventos, da Antártida se afastam.


Pingüins, aos milhares, buscam águas cálidas.

Em pleno Atlântico, marinhas criaturas -

Lobos, pingüins e baleias, seguem perfiladas.

Correntes, nuvens e ventos rumam para o Norte

Em cerimonial procissão.


Cálidos ventos marinhos sopram para Leste.

Desde o Pacífico Oceano, águias em alto plano,

Como as nuvens surgidas no Oeste,

Em busca de rumo no Atlântico Netuno.


El Niño e La Niña brincam, sobre as águas e ares.

Os ventos se enfurecem em busca de sua sorte;

Os pingüins, aos milhares, buscam cálidas correntes,

No sentido Sul / Norte.


As correntes aéreas e marinhas, cálidas e glaciais,

Encontram-se, fundem-se, revolvem terras e abissais,

Ultrapassam um Porto Alegre, Babitonga e Ilha Bela.

Capricórnio, clima temperado, uma semente abrolha,

Uma flor desabrocha. É setembro. É Primavera.


© Luiz Ramos

outubro de 2007


Foto:ramosforest(c)

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

NO TEMPO DA MARIA FUMAÇA


NO TEMPO DA MARIA FUMAÇA


Esta semana, outubro de 2009, muito se tem falado de transporte ferroviário e dos problemas de insatisfação do usuário no Rio de Janeiro. Nessas ocasiões sempre me lembro do meu texto abaixo, publicado no extinto Globoonliners:


"Hoje, 30 de junho de 2007, no Brasil, 43% dos vôos nacionais e internacionais sofreram atrasos. Até o final dos anos de 1950, o interior do Brasil era servido por uma pujante rede de ferrovias. A economia daquela época escoava por todo o país sobre trilhos das estradas de ferro. As linhas dos trens faziam parte da paisagem da maioria dos municípios brasileiros, transportavam as riquezas e criavam riquezas por onde passavam. No inicio dos anos de 1960, foi decretada a morte, não sempre de modo lento, da malha ferroviária nacional. Vale recordar que o então Distrito Federal e o então estado do Rio de Janeiro, que hoje formam o estado do Rio de Janeiro, como outros estados da federação, possuíam uma importante rede de comunicação ferroviária.

Vejam só: LINHA AUXILIAR: (*) A chamada Linha Auxiliar foi construída pela Estrada de Ferro Melhoramentos, a partir de 1892, e, em 1898, foi entregue o trecho entre Mangueira (onde essa linha e a do Centro se separam) e Entre Rios (Três Rios). O traçado da serra, construído em livre aderência e com poucos túneis, foi projetado por Paulo de Frontin, um dos incorporadores da estrada. Em 1903, a E. F. Melhoramentos foi incorporada à Estrada de Ferro Central do Brasil e passou a se chamar Linha Auxiliar. Ferrovias foram incorporadas a ela, assim como ramais construídos, dando origem à Rede de Viação Fluminense, que tinha como tronco a Linha Auxiliar, sendo tudo gerido pela Central. Na mesma época, o ramal de Porto Novo, que saía de Entre Rios, teve a sua bitola estreitada para métrica e tornou-se a continuação da Linha Auxiliar até Porto Novo, onde se entroncava com a Leopoldina. No final dos anos 1950, este antigo ramal foi incorporado à Estrada de Ferro Leopoldina e a Linha Auxiliar passou a terminar de novo em Três Rios, onde havia baldeação.


A linha, entre o início e a estação de Japeri, onde se encontra com a Linha do Centro pela primeira vez, transformou-se em linha de trens de subúrbios, que operam até hoje; da mesma forma, a linha se confunde com a Linha do Centro entre as estações de Paraíba do Sul e Três Rios, onde, devido à diferença de bitolas entre as duas redes, existe bitola mista. Nos anos 60, toda a linha passou para a Leopoldina. A linha da Auxiliar teve o traçado alterado nos anos 1970 quando boa parte dela foi usada para a linha cargueira Japeri-Arará, entre Costa Barros e Japeri, ativa até hoje, bem como para trens metropolitanos entre o Centro e Costa Barros. Entre Japeri e Três Rios, entretanto, a linha está abandonada já desde 1996. (*) http://www.estacoesferroviarias.com.br/rj_alfa.htm


Luiz Ramos(c)

Foto:ramosforest(c)

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Governança 1.0 ou 2.0


Governança 1.0 ou 2.0?

Um texto do blog do Nepomuceno sobre Planejamento 2.0 trouxe-me algumas reflexões sobre o tema. Abaixo transcrevo o meu comentário ao citado blog:

“Não faz muito tempo, falava-se em Controle de Qualidade Total, mas verticalizado. Eu participei de processos de implantação da filosofia da Qualidade Total em que o objetivo fracassou devido ao modo centralizador e verticalizado dos “donos” da empresa. Em pouco tempo os resultados foram sentidos, atingindo mortalmente os negócios da empresa, que se dizia moderna só no discurso para os clientes e fornecedores. A trilogia Empresa, Clientes e Fornecedores, na verdade, era uma falácia, pois só interessava o “ego” do dono do empreendimento.

Quando se fala de dirigentes egocêntricos em empresa privadas, é fácil entender e ver os resultados negativos aniquilarem o empreendimento. Mas, quando se trata de planejamento público, os dirigentes ainda ficam resguardados por regulamentação burocrática, que encobre responsabilidades e perpetua pseudos bons administradores da coisa pública.

Esse seu texto deveria ser dado a conhecer aos empresários e aos administradores públicos, além de todos os eleitores e cidadãos, em uma tentativa de esclarecer e sensibilizar a todos sobre as verdadeiras finalidades da administração de bens privados ou públicos. Indistintamente, pois todos fazem parte da poupança nacional.

O perigo é se usar as melhores cabeças pensantes para induzir eleitores e perpetuar grupos políticos nos governos. Mas, ai, já se abre outra discussão: o que é democracia?”

Luiz Ramos©

Foto:ramosforest©

LinkWithin

Blog Widget by LinkWithin