Quando criança, eu me lembro, havia Parque de Diversão itinerante, que passava por minha cidade periodicamente. Eram balanços chamados canoa – duas pessoas sentadas uma em frente à outra , balançando cada vez mais alto, puxando com as mãos uma corda de sisal; eram jogos de argolas; outros brinquedos que giravam vertiginosamente e me deixavam tonto. Mas, minha atenção era sempre para os teatros de marionetes. Seres encantados desfilavam naquele pequeno espaço, como em uma janela aberta para um mundo especial.
Crescemos e passamos a procurar significado para tudo. Assim, descobri, pesquisando, que Boneco de Fio ou Marioneta (em Portugal) ou Marionete (no Brasil), é oriundo do francês "marionette", um boneco manipulado por fios, cabos ou varetas e usado como forma de teatro de fantoches.
As apresentações podem ser feitas em pequenos teatros em formato de caixa, pequenos teatros abertos ou sem nenhum aparato, só o manipulador e o boneco. Esta expressão cultural é conhecida desde a Idade Média, na França e na Sicília. Existe também no Japão, há muito séculos, inicialmente em Osaka. Na China, existe o tradicional Marionetes de Luvas, que são verdadeiras óperas em miniatura.
No Brasil, existem muitos tipos de mariontes, como os do Parque de Diversão, de Praças e em Teatros. Podem ser de fios, varetas ou de luvas; com ou sem recursos cenográficos.A apresentação mais espetacular que eu já assisti – sem considerar as inesquecíveis apresentações no Parque de Diversão de minha infância, foi de um grupo pernambucano, no final dos anos 70, em Buenos Aires. Eles eram tão bons e espetaculares que conseguiram uma temporada na Capital portenha. Era um espetáculo para crianças e adultos, com grande técnica e profissionalismo. Infelizmente não me recordo do nome da companhia teatral.
Eu tenho em casa um conjunto de marionetes de luva, confeccionados por um artesão nordestino. Ainda me lembro, eu gostei dos bonecos em uma feira de artesanato, em Brasília, nos anos 80, e adquiri os cinco bonecos expostos para venda. Conheci o artesão na mesma ocasião e, quando voltei, no dia seguinte para conversar com ele novamente, fiquei sabendo que ele tinha sido atropelado e morto em uma das avenidas da cidade.
Parece que a aproximação das festas de fim do ano traz consigo nostalgia e saudades de pessoas e fatos. Que saibamos sempre transformar cada dia do ano em um feliz dia de Natal.
Luiz Ramos
Foto: ramosforest(c)