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terça-feira, 30 de março de 2010

A fritura



A fritura


Lembro-me que na casa minha avó - lá onde está o fogão de lenha ao lado do qual se toma o café passado em coador de pano - fritava-se em gordura de porco o pescado que se pegava no ribeirão usando uns balaios – cestos de bambu- grandes. Havia muito lambari, cascudo e outros mais; e todos eram fritos na gordura de porco em panela de ferro no fogão de lenha.


Hoje em dia, a fritura dispensa a gordura de porco devido aos seus efeitos sobre o organismo humano, como o aumento do colesterol e a obesidade. Emprega-se na fritura, hoje, óleos de girassol, de milho, de canola. Mas que o sabor da fritura com gordura de porco era melhor, não há dúvida.


A fritura é uma operação que confere aos alimentos características de odor, sabor, cor e textura de grande aceitabilidade sensorial, dizem os especialistas em alimentação. Costuma-se até estudar o comportamento dos óleos em fritura de imersão intermitente, em cozinhas industrializadas ou não, sob temperatura controlada entre 170ºC e 180ºC, por um determinado período, utilizando muitos litros de óleo para processar muitos quilos de vegetais, como batatas, cenouras, couve-flor, abobrinha e mandioca e outros elementos.


Para se controlar a fritura, o óleo é analisado mediante determinações físicas de absortividade e cor e químicas (acidez e compostos polares). Realiza-se também análise sensorial de aceitabilidade dos produtos. São fixados parâmetros-limite para determinar o descarte do óleo quanto aos compostos polares, aos ácidos graxos livres e média para o teste de aceitabilidade.


Os resultados ao final do período são analisados e com base nos resultados obtidos, pode-se ou não concluir que, apesar do aquecimento do óleo ter levado a alterações hidrolíticas e oxidativas, os parâmetros não atingiram o nível de descarte, indicando que o óleo submetido a essas condições de fritura pode ser usado por muitas horas antes do descarte final. Mas, certamente, após muitas horas ou dias de fritura o óleo deverá ser descartado, como previsto nos estudos realizados.


Tudo isso foi a propósito da fritura dos lambaris e dos cascudos pescados no ribeirão da casa da minha avó. Os pescados fritos eram saborosos; os lambaris, torradinhos, e os cascudos, suculentos. Bons tempos aqueles em que só se fritavam lambaris e cascudos pescados no ribeirão com gordura de porco.


Luiz Ramos ©


Foto:ramosforest©

sábado, 27 de março de 2010

Royalties do petróleo.


Carta aberta ao Deputado Hugo Leal,

Com grande interesse, como brasileiro e eleitor do estado do Rio de Janeiro, acompanhei o Programa Campos Opostos, do Canal Rural, hoje, 19 horas, do qual participaram Vossa Excelência e o Senhor Ibsen Pinheiro.

O tema da divisão dos royalties do petróleo desde o seu inicio já deixa claro a irresponsabilidade dos senhores deputados autores da emenda. Falo isso sem a paixão de um morador do estado do Rio de Janeiro.

Agora, após o término do programa referido, para mim ficou claro a irresponsabilidade do senhor Ibsen Pinheiro, que, para promover a sua desejada reforma tributária, jogou no fogo os interesses dos dois estados produtores de petróleo e que já têm direitos adquiridos.

Sem o sarcasmo de considerar o Rio de Janeiro um estado que tem praias, mas não é dono do mar, como se diz que o referido deputado gaúcho já comentou, agora, ele diz se preocupar com os interesses do estado do Rio de Janeiro. Mas, sobretudo, parece se preocupar com as repercussões negativas para o seu próprio currículo político, que se viu diminuído do titulo de Cidadão Honorário Carioca, ou algo parecido.

Promover a reforma tributária é o que todos nós queremos mais do que querem os nossos representantes em Brasília. Porém, um deputado federal não pode prejudicar um ou mais estados para iniciar a discussão do tema da reforma ou de qualquer outro projeto.

Uma mãe não pode prejudicar alguns de seus filhos para agradar aos demais, usando a figura citada no programa. Uma mãe responsável certamente encontraria uma solução equânime, pois não se configurava um caso de estado de necessidade em que se aceitaria o sacrifício radical de alguns em beneficio de outros.

Que os senhores deputados estejam cientes que eu e muitos outros eleitores estaremos atentos para este e outros temas de interesse local ou nacional.

Luiz Ramos da Silva Filho

Rio de Janeiro, 27 de março de 2010, às 20.00 h.


Foto:ramosforest(c)

World Urban Forum 5 - Carta do Rio


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UN Habitat - World Urban Forum 5 - Carta do Rio

quarta-feira, 24 de março de 2010

Worl Urban Forum 5 - UN-Habitat


UN-Habitat – World Urban Forum 5

Ser favoravel ou não ao que é discutido no World Urban Forum 5 é direito de cada um.
Tomar conhecimento do que está sendo discutido naquele Forum da UN-Habitat (ONU-Habitat), no Rio de Janeiro, de 22 a 26 de março de 2010 é um dever de todos.

Depois ninguém poderá dizer que foi surpreendido pelas novas tendências dos conceitos e práticas de administração de nossas cidades nos próximos anos.

Luiz Ramos©

Foto:ramosforest©

domingo, 14 de março de 2010

Sons e ressonâncias ao amanhecer.



Sons e ressonâncias ao amanhecer

Luiz Ramos da Silva Filho©

O despertador tocou quando ainda era noite. Pouco depois, os primeiros raios de sol surgiram entre as nuvens no horizonte. Doze horas sem nenhum alimento e o estômago dava sinais de falta de forças para se locomover. Apesar de tudo, conseguiu embarcar para o seu objetivo.

Contornou aquelas águas claras e tóxicas da lagoa e atravessou os túneis que dão acesso à região surreal onde convivem os extremos da pirâmide social local. No alto dos morros, os que se localizam em baixo e, no baixo, os que se localizam no alto da pirâmide social. Pela encosta, o outro lado de outro túnel descortina uma região povoada e cujo ambiente já está deteriorado pela multiplicação de indivíduos da espécie mais predadora e nociva de todos os ecossistemas conhecidos.

A sensação de fome e a ansiedade pelo que ocorrerá em breve atormentam e excitam os sentidos. Sem possibilidade de estacionar no primeiro pátio, a alternativa é seguir adiante, onde há vagas. Um casal, que aguarda ser ascendido também, beija-se como se fossem os últimos românticos do mundo. E todos os que aguardavam a ascensão chegam a seus destinos.

O destino 303, com seus vitrais translúcidos, demonstra que as atividades já foram iniciadas. Um monitor, uma atendente, um paciente, uma lista de pacientes e seus respectivos procedimentos. O terceiro na lista, como segundo a chegar, aguarda. E a fome e a ansiedade aumentam.

O terceiro na lista é o segundo a ser levado para a área de pesquisas. Sem camisa, sem sapatos, com uma vestimenta de linho branco e com um cateter introduzido em veia do braço esquerdo, o terceiro na lista acompanha com o olhar a enfermeira que se afasta, enquanto o técnico especialista se aproxima e o encaminha para o grande laboratório.

Um local espaçoso em que predomina o grande equipamento que se destaca pelo estreito tubo que literalmente engole as pessoas e as digere lentamente. São minutos, quase hora interminável. Uma sinfonia de sons metálicos, compassados, e descontínuos às vezes. Em seguida, sons agudos e ritmados, intercalados por pancadas secas e espaçadas. Um longo silêncio é interrompido por nova onda de sons. Uma sensação de calor invade o corpo através do braço esquerdo. Os sons metálicos, e às vezes desconexos, recomeçam. Como em um terremoto, ondas de sons replicam e invadem a cabeça do indivíduo, imobilizado, que já perdeu a noção do tempo em que parece estar sendo digerido por aquela máquina.

Subitamente, os sons são interrompidos e a constatação é de que não houve uma digestão do individuo pela máquina, mas, sim, uma aplicação de ressonância magnética. E, restaram uma lagoa poluída, uma pirâmide social surreal e túneis que levam a algum lugar ou a lugar nenhum. E, restou também a constatação de que o amor ainda existe e que não há sons que sempre durem, nem mal que nunca se acabe.

Foto: ramosforest©

quarta-feira, 10 de março de 2010

Babás, bebês e ciclovias.


Babás, bebês e ciclovias.

Não somente nos últimos dias temos visto acidentes de trânsito que demonstram a imprudência, a imperícia e a imaturidade de motoristas e pedestres. Hoje em dia, já se denomina o fato como “ocorrência de trânsito”, pois acidente teria outras características.

A conscientização que se pretende para o cidadão deve ser abrangente: cívica, civilizada, com urbanidade, prevista no urbanismo, socioambiental e ética. Nesse contexto, a autoridade deve cuidar da aplicação dos regulamentos edilícios, o legislador buscar normas eficientes, o judiciário ser ágil e o individuo agir de modo responsável.

Considero que dirigir veículos em vias públicas é de muita responsabilidade. Assim, o motorista não deve ultrapassar em lugares perigosos, deve dirigir com velocidade compatível, respeitar sinais de trânsito, trafegar pela direita da pista de rolamento. Por outro lado, as autoridades devem criar pistas de rolamento e áreas de circulação de pedestres bem cuidadas e fiscalizar de modo coerente, entre outras obrigações.

Dentro dessas premissas, caminhar em grupos ou sozinho, passear com idosos e "dirigir" carrinhos com bebês também são atos de muita responsabilidade. Tenho constatado que, indivíduos, grupos de pessoas, idosos e babás com bebês na ciclovia da Lagoa, no Rio de Janeiro, não respeitam regras de circulação nas vias compartilhadas e nem nas exclusivas de ciclistas, como a ciclovia da Lagoa para o Humaitá. Muitos ciclistas andam em velocidades incompatíveis com o local, “personal trainers” e vendedores ocupam a pista de rolamento e outras pessoas ainda usam triciclos de carga nas vias de circulação das ciclovias.

Ciclovias compartilhadas – com pedestre e ciclistas, são sempre problemáticas e a interação ciclistas e pedestres deve basear-se na conscientização de que existem normas no Código Nacional de Trânsito e o bom senso. Prevenir não custa nada. Remediar pode custar caro. O Código Nacional de Trânsito aplica-se nas ciclovias, para pedestres em geral - inclusive idosos e babás - e para ciclistas.

Luiz Ramos(@)

Foto: ramosforest©

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