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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Engenho e arte.


Parece que eu nada sei.

Ou que esqueci o que sabia.


Luiz Ramos©

Photo:ramosforest(c)


Sonetos

Luis Vaz de Camões (*)


Eu cantarei de amor tão docemente,

por uns termos em si tão concertados

que dous mil acidentes namorados

faça sentir ao peito que me sente.


Farei que amor a todos avivente,

pintando mil segredos delicados,

brandas iras, suspiros magoados,

temerosa ousadia e pena ausente.


Também, Senhora, do desprezo honesto

de vossa vista branda e rigorosa

contentar-me-ei dizendo a menos parte.


Porém, para cantar de vosso gesto

a composição alta e milagrosa,

aqui falta saber, engenho e arte.


(*)Sonetos de Camões – Izeti F. Torralvo e Carlos C. Minchillo –Ateliê Editorial – 4º ed. - São Paulo - 2007

4 comentários:

Tere Tavares disse...

Esquecer e recunduzir - parece esse um segredo quase sempre ingógnito, em que pese o soneto de Camões. "Parece que eu nada sei. Ou que esqueci o que sabia" me avalia um ótimo caminho.
Abraço

Ana Lúcia Porto disse...

Oi Ramos,

Há quanto tempo! Obrigada pela visita.

Quando a mente assim se desencadeia, é sinal de que o coração se encontra bem. Como estado de sublimação perante aos encantos do amor.

Um abraço,
Ana Lúcia.

antes blog do que nunca! disse...

Um poema de Camões...versos que cantam "engenho e arte"...até parece que nada sabemos! Apreciemos...

1 Bj*
Luísa

Djabal disse...

Esquecer é o melhor engenho, a arte que nos faz seguir adiante. Entre saber algo e saber nada a diferença é minúscula, ínfima. A diferença está em ser ou não ser. Pois não? Abrção.

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