Páginas

sexta-feira, 14 de março de 2008

What Poetry is? O que é poesia...



What Poetry is? (O que é poesia?)


Today, March 14 th is the Poetry's Day

Hoje, 14 de março é o dia da Poesia.



O que seria prosa? E poesia? Poesia é só o que apresenta emoção explicita? Só é poesia se falar de amor e sentimentos extravasados ou reprimidos? Só é poesia se a natureza for vista como um mundo encantado e onírico? A preocupação com o técnico e com a técnica desqualifica o poema?

Para responder, busquei esclarecimentos em pessoas como Bruno Tolentino (citado por José Aloise Bahia) e Marcelo Tápia, em Cronocópios, local na Internet indicado por Ana Guimarães. Pesquisei, também, Ezra Pound, em ABC da Literatura (ed.Cultrix).

Bruno Tolentino considera que, com relação à poesia, não se deve indagar para o que ela serve, nem quais as suas funções. E que “não é provável que a função poética, existindo sempre, desde que existe a fala, tenha sido sempre um engano ou uma perda de tempo. Obviamente não é uma perda de tempo”.

Tolentino cita uma tese sobre os quatro estágios do discurso em Aristóteles que nos ajuda a compreender sobre a natureza da poesia, pois não há outro modo de conhecer o mundo, através da linguagem, senão por meio de uma mitopoética. A retórica, a dialética e a lógica de Aristóteles completam o processo que nos indica como organizar a linguagem de maneira inteligível.

Tolentino considera, ainda, que a poesia vem antes que a prosa como forma de linguagem. “Mas, o espírito de prosa vai aos poucos aparecendo. O espírito de prosa chega muito tarde na humanidade. E já chega quando a humanidade está se tornando repetitiva, redundante e perigosa. Quer dizer, quando o negócio está ficando cada vez mais impositivo, onde há cada vez menos perplexidade diante das coisas, existe cada vez mais certezas e ninguém parece acertar o passo”.

Para Tolentino, não existe civilização nenhuma em que essa mitopoética não tenha se manifestado; que esse primeiro momento de percepção não tenha sido manifestado em linguagem, a poesia, a poiésis do grego - o “fazer novo”, que existiu tanto no meio dos chineses como dos hindus; em geral, no meio das grandes civilizações.

Segundo Marcelo Tápia, ao questionarmos a existência da poesia, teremos dois caminhos: ou responder, de imediato, com um simples e indignado “sim”, ou iniciar uma discussão que certamente não cabe nos limites de um texto simples, pois a leitura de cada pessoa é decisiva na qualificação de um texto.

Tápia cita que, segundo Ezra Pound os poemas podem ser classificados como “logopéias” - as modalidades de poesia que enquadra os textos analisados naquela categoria em que prevalece a “dança do intelecto entre as palavras”; a “melopéia”, que compreende a prevalência da musicalidade sobre outros aspectos; e a “fanopéia” - quando há prevalência da força das imagens.

Assim, a qualificação de um texto dependeria de uma época ou comunidade, pois o poético é, na verdade, uma estratégia de leitura, uma maneira de ler e, não, um conjunto de propriedades estáveis que objetivamente encontramos em certos textos - conforme Rosemary Arrojo, citada por Tápia.

Pensando em interpretação, construção e desconstrução - conforme Tápia, assim como em Ezra Pound e outros estudiosos, ao ler um texto “poético”, buscamos dimensões de sentido compatíveis com a própria idéia de poema, como a ambigüidade, que pode dar origem a um sentido inesperado, insólito; buscamos um texto em que todos os seus elementos devem ser considerados - conjunto de associações, no processo interpretativo. É possível, assim, alcançar conclusões diversas e também verdadeiras, ao se considerar que não há, do ponto de vista da desconstrução, verdade original ou estável.

É preciso estar preparado para observar os elementos não-verbais do texto, que formam sua estrutura rítmica e sonora. Faz-se necessário buscar no poema mais do que ele quer expressar, para realizar uma sua leitura poética, assim assimilando a função poética da linguagem. A função poética da linguagem compreende a percepção de um contexto com códigos não verbais, como os musicais, os visuais, os gestuais. São as formas, que estão muito além do conteúdo. É preciso ler poesia como poesia, indo além da estética tradicional da prosa.

E, assim, eu continuo buscando, como se me iniciasse lá pela mitopoética, para alcançar a dialética, a retórica e a lógica; para bem entender as logopéias, as melopéias e as fanopéias. E, então começar a compreender o mundo dos poetas.

Luiz Ramos

Foto: ramosforest

9 comentários:

Beatriz Lo Russo disse...

Olha Luiz, só sei que nada sei...
de poesia!!! Só aprecio!!
beijos Bia

Sandy disse...

thanks for your visit. beautiful photos here.

love the rose. LOVE the rose.

sandy

sanuar disse...

Yo creo que si existe la mezcla perfecta, pero a los ojos de uno, reconociendo defectos y virtudes y sin idealizar.

Marcos Santos disse...

Amiguinho, arrebentando no Blogger

Abração

Madalena Barranco disse...

Querido Luiz, como eu disse em seu outro blog, para mim a dona Poesia ganhou o a definição de: indefinível expressão do ser humano de forma concisa e natural. Eu acredito que a poesia contemporânea libertou-se do jugo da técnica, mas isso não quer dizer que a técnica não possa ser utilizada. Beijos.

RAMOSFOREST.ENVIRONMENT disse...

Beatriz,
Sandy,
Sanuar,
Marcos,
Madalena,
Obrigado por seus comentários.
Thank you.

Luiz Ramos

referencia@hotmail.com[2] disse...

só posso te dizer que
de poeta e louco todos
temos um pouco bjs

Anônimo disse...

Obrigado pela citação... Numa noite aparentemente calma do ano passado, segunda-feira, sete de agosto de 2006, o polêmico Bruno Tolentino garbosamente de terno azul-marinho, camisa branca, gravata vermelha e sapatos pretos, prepara-se para mais um encontro com a platéia. Magro, pálido, pigarrento e olhar leonino, amparado pelos óculos, encara alguns gatos pingados. Escritores, jornalistas, leitores, um padre e eu. Pela primeira e última vez vi o homem. Já tinha escutado várias histórias sobre ele, quando se recolheu tempos atrás na serra da Piedade, em Caeté, bem próxima de Belo Horizonte, pedindo socorro e a intercessão da padroeira do Estado de Minas Gerais: Nossa Senhora da Piedade. Eis o mínimo para relembrar e contar. Acima de tudo, o que atrai a atenção são as deambulações abaixo, quando veio também para o lançamento de “A Imitação do Amanhecer” (Editora Globo, São Paulo, 2006), forte candidato para mais um Jabuti ao escritor (post-mortem). Quase um ano depois, valeu o sacrifício, as rebobinações incessantes dos últimos dias e a transcrição da fita cassete da palestra inédita. Sem alongar esta breve introdução, quero homenagear e manifestar os sinceros agradecimentos ao sonetista - que esteja em paz na eternidade. Também a minha gratidão para o pessoal do projeto “Sempre Um Papo” (20 anos) e aos funcionários do Palácio das Artes, Belo Horizonte, MG, pelas autorizações e trabalhos, sem os quais o importante registro não aconteceria. Com a língua e os dentes afiados, as palavras do poeta, de corpo e alma. Bruno Tolentino: afinal, para que serve a poesia? Se você quiser ler a íntegra da palestra do falecido Bruno Tolentino, observe o link da minha coluna Um Outro Exercício Estético, no Portal de Literatura & Arte Cronópios, São Paulo, SP, Brasil: http://www.cronopios.com.br/site/colunistas.asp?id=2609... Abraços do José Aloise Bahia, Belo Horizonte, MG, Brasil...

Anônimo disse...

Quality content is the main to interest the visitors to visit the site,
that’s what this web site is providing.

Feel free to surf to my blog: download anti virus program

LinkWithin

Blog Widget by LinkWithin