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quinta-feira, 17 de abril de 2008

A ave vive e voa

Blogagem Coletiva Dia da Leitura contra o Analfabetismo

A ave vive e voa

Quando criança, eu aprendi a ler em uma Cartilha da Editora Melhoramentos. O sistema de aprendizagem era diferente. Não sou tão antigo assim, mas acontece que a partir dos anos 60 ocorreram muitas modificações no aprendizado com teorias, métodos e currículos. A criança aprendia, primeiro, as vogais; depois juntava vogais com algumas consoantes, até repassar todas as consoantes. Em seis meses, a criança aprendia a ler e escrever de modo consciente, sabendo que “b+a= ba, l+a= la; ba+la=bala”. Foi assim que “eu vi a uva” e “a ave vive e voa”. A última lição da Cartilha trazia um texto em versos. Era a glória; a criança já podia abrir sozinha as portas do mundo. O texto da última lição dizia:


“Já no horizonte
surge a manhã
É dia, vamos,

ó minha irmã...”


Não sei o motivo, mas esta lembrança me veio por causa da postagem no blog do Ricardo Calmon sobre o Coleirinho Erudito. Através de minha janela e do meu pequeno jardim, todas os dias, quando no horizonte surge a manhã, eu recebo também a visita de muitos pássaros. São sabiás, coleiros, cambaxirras, colibris, canários da terra, saíras e o bem-te-vi, maior e dono do território. Alguns cinzentos, outros verdes, azulados. Nesta época do ano, até tucanos e maritacas se juntam aos muitos pássaros que vêm comer das frutas que deixo à disposição deles todos os dias. Durante todo o ano e, principalmente nesta época, as garças escuras e grandes que fazem ninhos na mata ao fundo parecem se multiplicar e surgem muitos ninhos, alvos e cheios de gritos e de vida. Nesta efervescência de vida, até abelhas da terra chegam para disputar com os pássaros o mel do mamão.

As aves me dão sua companhia fugaz, mas diária, seu canto variado, mas inconfundível. Alguns só chegam aos pares. São casais que chegam para comer e se protegem: um come enquanto o outro vigia; depois revezam. Realmente, os pássaros sentem-se seguros e alguns já não voam ao pressentir a presença de alguém.

Eu creio que, devido à proximidade geográfica, o Coleirinho Erudito seja da mesma ninhada daqueles que vêm comer todos os dias as frutas que deixo no meu jardim. Basta cruzar o Parque da Catacumba, na Lagoa, em direção ao Morro do Corcovado. Eles nem precisam de GPS. Os animais sabem tudo. Até gostam de Bach, de carinho e de frutas.

E eu estou contando tudo isto porque, um dia, eu aprendi em minha Cartilha que “a ave vive e voa”.

Luiz Ramos

Foto: ramosforest (Este pássaro visita-me todos os dias)

13 comentários:

Marcos Santos disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
ROSÁCEA disse...

Voar nas Asas da palavra.
Ler é ser livre como a ave ue voa.

beijos

Denise BC disse...

Como assim? não é tão antigo?
Claro que não! é experiente, rsrsrs.
Belo texto Luiz,singelo, puro e nostálgico.
Uma forma bastante interessante de abordar um tema tão lamentável como o analfabetismo no nosso país.

bjs,
Denise BC

PS: Esse comentário aí em cima foi excluído por mim, porque usei um blog do Pedrinho para comentar e nem percebi, desculpe.

Georgia disse...

Luiz você me fez voar a um passado que em mim nao é distante ainda, rs.
Vovô viu a uva. Hoje em dia nas escolas eles estao muito preocupados em passar para as criancas que para o vovô ter visto a uva essa uva teve um processo todo antes. Eu acho que é por ai que comecam todas as dificuldades do novo ensino. Quando a nossa preocupacao era somente ensinar que o vovô viu a uva a crianca aprendi.

Muito obrigada por sua participacao. Gostei muito das fotos e da coneccao com os passarinhos.
Você deve viver num mundo bem especial se vive rodeado deles.

Grande abraco

Georgia disse...

corrigindo: A crianca aprendia

SOB_VERSIVA disse...

Gostei muito do seu post, RamosForest. Ao escolher em qual blog deveria colocar este post vi o seu perfil.Vi que é advogado, ou "lawyer", não sei onde pratica! Isto trouxe-me à mente precisamente a questão dos direitos, e mais prementemente, dos direitos "fundamentais" de cada ser, aqueles consagrados não só em Constituições Nacionais, como também em Tratados Internacionais...Eu também sou advogada e desde cedo pude associar a falta de literacia, o analfabetismo, a situações de graves violações de direitos humanos. Não é fácil abrir a boca, nomeadamente contra o analfabetismo, se este interessa aos governantes.
Contudo, mãos ao alto, pelos que vão falando, pela boca dos que não falam!
Um Abraço

Luma disse...

Seu post ficou super nostálgico e poético!
Eu tentei lembrar de como foi minha alfabetização. Não lembro, será que também sou antiga? Estou brincando e não lembro das cartilhas. Lembro de um caderno de caligrafia. Hoje em dia, não se importam nem com a apresentação da letra.Bom fim de semana! Bejus

Aninha Pontes disse...

Luis, em primeiro lugar, obrigada pela visita.
estas blogagens coletivas nos proporcionam um belo encontro com pessoas inteligentes, e que tem coisas inteligentes a dizer.
Você me fez também voltar ao tempo de minha alfabetização, com a cartilha "Caminho Suave", que nos trouxe tanto conhecimento.
Aprendíamos sim, tanto a literatura, quanto as tabuadas.
O ensino era bastante sério.
Hoje, vejo com orgulho, que apesar de não ser formada em nenhuma faculdade, não tenho problemas em falar, escrever ou ler.
Aprendí, o que eles, hoje, infelizmente não aprendem.
A liberdade dos pássaros é mesmo cativante, tenho esse privilégio também, moro muito perto de uma grande vegetação da mata atlântica.
E eles voam, com sabedoria.
Um abraço.

Roseane, disse...

Ave voa, voa e vai longe muitas vezes. Antes de comprar minha bicileta eu vi esse síte e achei bem legal. Hoje é dia do índio, dia de luta pela reparação de suas violações e de celebrar a vida também. Bom findi!!!

Anny disse...

Oi Luiz:
Adorei o post. Uma história parecida com a minha. Só a que a minha última lição era:
"Minha enxadinha
trabalha bem
corta matinhos
num vai e vem.
Minha enxadinha
vai descansar
para amanhã recomeçar..."

JOICE WORM disse...

Quem tem um livro, nunca está só!
Beijo grande, Luís.

Madalena Barranco disse...

Luiz... Eu também aprendi através da cartilha! Minha mãe me ensinou (e ela não é professora) e eu aprendi em menos de seis meses - você está certíssimo!!! E olhe que eu tenho 42 anos e a cartilha era de ótima qualidade, porque alguém que não era professor poderia guiar a criança às letras... Beijos.

Anônimo disse...

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